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segunda-feira, 25 de junho de 2012

A catedral



A catedral.

                   Uma catedral magnífica estava sendo erguida. Já se elevava acima das estruturas de todo o país e não tinha sequer atingido a metade da altura planejada, Nemo coberto um quarto do terreno à ela destinado. Os incomparáveis afrescos, os maravilhosos vitrais, os elaborados entalhes – eram ainda idéias na cabeça do arquiteto e da equipe de mestres artesãos por ele montada.
                   Quando o arquiteto caminhava pela estrada poeirenta  para ir inspecionar o andamento de sua criação, passou por três homens labutando sob o escaldante sol do meio-dia. Os três eram jovens na flor da idade. Os três faziam a mesma tarefa. Uma tarefa penosa, árdua. Cada um pegava um bloco de pedra, colocava-o sobre uma grande pedra chata e batia nele com uma marreta até que ele se quebrasse. A cada um ele fez a mesma pergunta: “O que você está fazendo, meu jovem, e por que o faz?”
                   O primeiro homem respondeu: “Você não vê o que estou fazendo? Estou quebrando pedras, e o faço porque recebo meu pêni por dia”.
                   O segundo homem respondeu: “Estou fazendo as pequenas pedras que serão usadas nas paredes daquela construção ali, e o faço para alimentar a minha família”.
                   O terceiro homem respondeu: “Estou ajudando a construir aquela maravilhosa catedral ali. Quando ela ficar pronta, virá gente de muitos países para admirar suas maravilhas. E o faço para aprender, porque, verdade seja dita, posso ganhar um ordenado melhor, com menos esforço, trabalhando como aprendiz”.
                   Num impulso, o arquiteto chamou seu assistente e lhe pediu que acompanhasse a vida de cada um daqueles três homens ao longo dos anos.
                   Quatro décadas depois, o primeiro homem tinha morrido. Ele permanecera operário braçal, trabalhando por dia em tarefas ainda mais vis quando perdeu a força física.  Segundo homem se aposentará com modesto conforto. Ele acabará se tornando um artesão e adquiria a reputação de um trabalhador confiável, embora pouco criativo.
                   O terceiro homem? O arquiteto não precisou perguntar a seu respeito. Sua fama continuava a crescer, e os maravilhosos edifícios que concebera povoavam a região.            

sábado, 18 de fevereiro de 2012

A Maldição do Professor


Conta a lenda que quando Deus liberou o conhecimento sobre como ensinar os homensdeterminou que aquele "saber" ficaria restrito a um grupo muito selecionado de sábios. Mas, neste pequeno grupo, onde todos se achavam "semideuses", alguém traiu as determinações divinas.

Aí aconteceu o pior!

Deus, bravo com a traição, resolveu fazer valer alguns mandamentos:


1º - Não terás vida pessoal, familiar ou sentimental.

2º - Não verás teu filho crescer.

3º - Não terás feriado, fins de semana ou qualquer outro tipo de folga.

4º - Terás gastrite, se tiveres sorte. Se for como os demais, terás úlcera.

5º - A pressa será teu único amigo e as suas refeições principais serão os lanches, as pizzas e o “China in Box ou Mc Donalds.

6º - Teus cabelos ficarão brancos antes do tempo, isso se te sobrarem cabelos.

7º - Tua sanidade mental será posta em cheque antes que completes cionco anos de trabalho;

8º - Dormir será considerado período de folga, logo, não dormirás.

9º - Trabalho será teu assunto preferido, talvez o único.

10º - As pessoas serão divididas em 2 tipos: as que ensinam e as que não entendem. E verás graça nisso.

11º - A máquina de café será a tua melhor colega de trabalho, porém, a cafeína não te farás mais efeito.

12º - Happy Hour será excelente oportunidade de ter algum tipo de contato com outras pessoas loucas como você.

13º - Terás sonhos com cronograma, planejamento, provas,  fichas de alunos, provas substitutivas e não raro, resolverás problemas de trabalho neste período de sono.

14º - Exibirás olheiras como troféu de guerra.

15º - E, o pior........ inexplicavelmente gostarás de tudo isso...

O Velório


ROTEIRO DE TRABALHO
Oficina sobre MOTIVAÇÃO PROFISSIONAL - 26/11/2010.


O VELÓRIO.

Uma empresa estava em situação difícil, as vendas iam mal, os trabalhadores e colaboradores estavam desmotivados, os balanços há meses não saiam do vermelho. Era preciso fazer algo para reverter o caos.

Ninguém queria assumir nada. Pelo contrário, o pessoal apenas reclamava que as coisas andavam ruins e que não havia perspectiva de progresso na empresa. Eles achavam que alguém deveria tomar a iniciativa de reverter aquele processo.

Um dia, quando os funcionários encontraram na portaria um enorme cartaz que dizia:

“FALECEU ONTEM A PESSOA QUE IMPEDIA O CRESCIMENTO DE NOSSA EMPRESA. VOCÊ ESTÁ CONVIDADO A PARTICIPAR DO VELÓRIO NA QUADRA DE ESPORTES”.

No início todos se entristeceram com a morte de alguém, mas depois de algum tempo, ficaram curiosos para saber quem estava bloqueando o crescimento da empresa. A agitação na quadra de esportes era tão grande que foi preciso chamar os seguranças para organizar uma fila indiana. Conforme as pessoas iam se aproximando do caixão a excitação aumentava. “Quem será que estava atrapalhando o progresso?” se perguntavam. “Ainda bem que esse infeliz morreu”.

Um a um, os funcionários agitados aproximavam-se do caixão, olhavam o defunto e engoliam a seco, ficando em absoluto silêncio como se tivessem sido atingidos por um raio.    


No lugar do visor do caixão havia apenas um espelho.

Só existe uma pessoa capaz de limitar seu crescimento.

Você é a única pessoa que pode fazer a revolução de sua vida.

Você é a única pessoa que poder prejudicar sua vida.

Você é a única pessoa que pode ajudar a si mesmo. Não tente achar culpados por suas falhas.

É dentro de seu coração que você vai encontrar a energia para ser o artista da criação.

O RESTO SÃO DESCULPAS!   

ADOLESCÊNCIA: conhecendo melhor.



1ª aula da apostila entregue aos professores no curso “Programa de Formação Continuada Personalizado para Docentes” por Andréa Rosa. Veja mais no site em PROJETOS.    
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 Adolescência – um substantivo feminino, que segundo o dicionário Aurélio é o período que vai dos doze aos vinte anos de idade. Numa linguagem mais informal e cômica, a tradução que se dá para o adolescente é ”toda criatura que tem fogos de artifício dentro dela”. Nas línguas neolatinas – adolescere – significa crescer num breve espaço de tempo entre a infância e a idade adulta. A medida em que a Psicologia evoluiu e estudou especificamente essa fase, percebeu-se que ela estende-se ao longo dos anos até englobar grande parte da fase da juventude.

Freud descreveu essa fase em seu livro “Três ensaios sobre a sexualidade” onde, pela primeira vez na Psicanálise, foram relatados sintomas e comportamentos de uma fase diferente da infância, na qual reflete um período de incertezas e profundas transformações tanto fisiológicas, quanto psicológicas. A exemplo, as alterações dos instintos, a organização do “eu” (onde a imagem corporal é o núcleo), os papéis sociais e um re-equilíbrio hormonal e familiar para atingir a independência na fase adulta.  

Nessa fase ocorrem pelo menos três fenômenos importantes no desenvolvimento humano: a puberdade com o amadurecimento sexual e reprodutor (olhar biológico); a passagem da infância para a vida adulta com a assunção de papéis adultos e a autonomia dos pais (olhar social) e a estruturação de uma identidade definitiva para a subjetividade (olhar psicológico).  

Alguns comportamentos individuais são claramente percebidos: inquietude física, menor capacidade de concentração, crescente ambivalência frente as conquistas amorosas, tiques, rituais, manias de colecionar (em alguns casos até pessoas), regressos a crenças e conceitos que anteriormente faziam sentido, avaliação pré-genital do sexo oposto e o evitar contato com os pais.

Comportamentos grupais também são percebidos: conflito entre a lealdade aos pais e ao grupo que pertence, desafios as normas da linguagem coletiva(por mais que algumas sejam completamente diferentes da língua materna), mudança de hábitos de higiene e saúde, gosto apurados em “correr riscos”, o evitar contato com os professores ou pessoas que denotem “a supremacia do poder” (isso inclui um desprezo pela pessoa representante), busca de segurança somente em grupo, ver o sexo oposto como troféu, evitar toda e qualquer ajuda do adulto (incluindo as correções verbais que lhe são feitas), geralmente se sentem esquecidos e não queridos pelos adultos. 

Helene Deutsch ressalta que na atualidade o adolescente não mais possui um conceito de identidade e maturidade adulta, isso se torna obscurecido uma vez que os próprios pais frequentemente estão envolvidos com sua própria adolescência incompleta.


O mundo contemporâneo e a adolescência.

Rafael dos Santos faz uma importante observação sobre a relação entre a adolescência e a mídia contemporânea “quando ligamos a televisão, e os nossos queridos estudantes também, assistimos a programas que disseminam uma juventude estereotipada por adolescentes bronzeados que malham em academias que mais parecem uma ilha da fantasia”.  

Vivemos num mundo de aceleradíssima circulação de informações e de ideias, onde o discurso da ciência ocupa um lugar excepcional, mas onde nenhum discurso ou representante possui legitimidade social a ponto de ocupar o lugar de um ideal cultural razoavelmente estável e transmissível. O que ocorre no mundo contemporâneo, como constata Dufour é que estamos diante de figuras de Outro que não cessam de mudar, de modo que o espaço simbólico tornou-se movediço. Desta forma, Dufour chama a atenção para o impasse que se coloca aos adolescentes no mundo contemporâneo "cada um está em busca de um ‘Outro’ a quem dedicar sua vida", ou ainda, de um ideal que sirva de referência para o seu desejo.

Nos dias de hoje, é comum vermos que os pais têm dúvidas ou realmente nem sabem em qual série o filho ou a filha está cursando. Também é comum percebermos que os filhos desconhecem a história de vida dos pais, suas tradições e concepções familiares, suas origens... Dessa forma são geradas mais dificuldades para construir junto sua história. Não há mais almoço em família, muito menos aos domingos. A comunicação interna de uma casa tem acontecido através de bilhetes, emails e MSN. Por isso nossos jovens estão recorrendo aos meios externos como fontes de informação, esclarecimentos e escuta.

Há sites, revistas com informações sobre tudo, os quais tiram qualquer dúvida sobre muitos e inúmeros assuntos, incluindo dietas (para terem um corpo perfeito, recorrendo às cirurgias plásticas), dando dicas e “conselhos”. Esses mecanismos estão sendo utilizados em lugar de diálogos em família, e isso tem gerado perdas importantes na construção do sujeito – adolescente, enquanto pessoa.       

Relação professor – adolescente e a aprendizagem.

Muitos pais e mestres, de uma geração chamada X (pessoas que nasceram entre 1965 a 1977 que possuem entre 32 a 44 anos) aprenderam de outra forma; em meio ao silêncio, esforço repetitivo (como decorar tabuada), tendo que atingir notas altas e provar que era inteligente, lendo muito e principalmente repensando várias vezes antes de responder. Fazendo as famosas revisões.  Se deparam com seu filho e aluno agindo de forma bastante diferente do que vivenciaram em sua adolescência. Uma geração impetuosa, que ouve pouco, não tem paciência para muitas explicações e não revisa nada do que tenha feito. Se vêm perplexos perante o quarto ou uma sala de aula, aparentemente desorganizado dos seus adolescentes: televisão ligada, computador com muitas possibilidades “abertas” como chats, blogs, Twitter, Facebook e várias páginas da net abertas, livros e cadernos espalhados, falando ao celular, máquina fotográfica próxima para  registra todos os momentos e música (podendo estar tocando no próprio computador ou nos Ipods de última geração), de preferência no volume abusivo e tudo funcionando simultaneamente. E “isso” constitui o seu “espaço de trabalho”. E se perguntam como conseguem estes jovens manter a concentração e construir momentos de aprendizagem significativa e duradoura.
  
         
Imagem extraída do BLOG de José Paulo Santos
                  

Diferentemente dos anos iniciais do Ensino Fundamental, o aluno adolescente está frente às novas exigências na escola, as quais coincidem com mudanças e reações da fase em que está vivendo. Já sabemos que o corpo desse jovem está passando por alterações físicas e hormonais e na maioria das vezes poderá provocar estranhamento e sensação de desconforto. Embora cada adolescente reaja à sua maneira, movimentos contraditórios são comuns nessa fase. Alguns querem voltar a ser criança, enquanto outros reivindicam mais autonomia. Momentos de grande introspecção, com ar de estar no "mundo da lua", indicam que o jovem está tentando colocar os pensamentos em ordem e entender o que está acontecendo com ele.

O adolescente se vê só, nessa caminhada de construção da identidade e nem um pouco compreendido. Apega-se rapidamente ao grupo com quem se identifica, que o acolhe imediatamente. O grupo por sua vez, fala a mesma linguagem, possui características similares e entende o que esse adolescente está passando. É um grupo que recorre à mídia para tirar suas dúvidas e “matar suas curiosidades”.

Nesse sentido, a escola possui papel fundamental na formação desse adolescente, pois provém dela o auxílio em formar concepções de base como o trabalho coletivo, individual, a produção, negociação, conservação e diálogo. Através da educação, a curiosidade desse jovem será aguçada e a busca pela superação tornar-se-á inerente à faixa etária.

Tanto essa geração, quanto as escolas, já possuem investimentos sólidos com relação aos materiais e recursos tecnológicos. É preciso investir na inteligência científica, na pesquisa, na investigação literária desse jovem. Fazer com que perceba que existe muito mais construções, discussões, transformações a serem conquistadas, além da informação que ele possui. O fóco central deve ser: o que essa geração Y pode fazer com tanta informação, transformando-a em conhecimento.        

O professor em sala de aula, terá que, entre muitas outras atitudes, superar uma mídia interativa e desfazer um espaço vazio que ficou para esse aluno. O qual deve ser preenchido. Além de requerer desse professor muita serenidade.

Não existe receita pronta das atitudes que devem ser tomadas para que esse professor tenha sucesso no dia a dia escolar. Perrenoud diz “o ofício de educador é complexo”. Mas, vale ressaltar que algumas posturas são fundamentais na busca desse sucesso:

Ø  Construir com embasamento teórico, a sua prática;
Ø  Aprofundar nas mais variadas teorias que explicam essa fase, com todo o contexto psicológico, físico, emocional, linguístico, pedagógico, que lhe são compatíveis e cabíveis;
Ø  Possuir uma prática reflexiva;
Ø  Refletir sobre suas atitudes individuais e coletivas frente ao grupo de docentes.
                       

Mas como interagir com esse aluno e esse grupo para que sejam reconstruídos valores esquecidos?
                  
Para isso, temos que contar com educadores capacitados numa Pedagogia crítica para distinguir o discurso ideológico nas diversas narrativas dos muitos textos culturais (ou não) que circulam nessa sociedade capitalista, que tanto encanta e convence o jovem. Dessa forma o educador conseguirá fazer com que o adolescente veja a parte “maléfica” de possíveis intenções coletivas e seja capaz de refletir sobre seus ideais.
                  

O professor deverá apresentar algumas ações concretas, que atinjam de forma positiva esse aluno no individual e coletivo:
                  
Ø  Trazer uma reflexão profunda e saudável sobre a vida para esse jovem, dessa forma colaborará na construção de sua identidade.
Ø  Estreitar vínculos afetivos, mas sempre com ponderação, cautela e maturidade. Uma relação carinhosa e responsável.
Ø  Criar espaços para discussões coletivas, onde o grupo possa se perceber, enquanto agentes de transformação.  
Ø  Colocar a responsabilidade como meta, que faz parte de uma preparação, e não como um comportamento obrigatório.
    
Ajudando o adolescente.


Enquanto professor, você poderá ajudar esse adolescente a entender melhor o mundo, descobrir o outro e “se redescobrir”.

CUIDADO!



Dicas:

Ø  Conhecer bem cada adolescente, cada aluno.
Ø  Conversar sobre as mudanças que esse aluno está sofrendo no coletivo. O que seja pertinente ao ciclo geral da adolescência.
Ø  Fazer com que ele conheça as suas limitações e as suas possibilidades.
Ø  Ajudar a esclarecer o que é a autêntica liberdade, distinguindo-a da libertinagem.
Ø  Desenvolver nele a virtude da fortaleza, para que possa fazer por si mesmo, esforços pessoais.
Ø  Fomentar a flexibilidade nas relações sociais.
Ø  Sugerir atividades que lhe permitam estar ocupado.
Ø  Refletir com esse adolescente as influências negativas da mídia, especialmente as que derivam da manipulação publicitária e as que motivam condutas sexuais desordenadas. Sem se mostrar íntimo, contanto suas experiências ou sendo partidário sobre algum movimento.
Ø  Guiar ações para que demonstrem condutas nobres.
Ø  Mostrar que no silêncio também aprendemos. Descobrir que nesse momento existem possibilidades reflexivas, de escolhas e decisões.
Ø  Colaborar com eles para que descubram o valor e o respeito pela intimidade de cada um.
Ø  Mostrar que a paciência e o amor, unidos a uma suave firmeza, são os recursos para libertar o jovem da esfera das suas impertinências.
Ø  Evitar os enfrentamentos e atitudes violentas. Permitindo e aprendendo a se acalmar perante as suas reações.
Ø  Dialogar sempre.
Ø  Escutar para compreender o que o outro diz.
Ø  Refletir sobre outros pontos de vista. Mesmo que isso signifique reconhecer que o que pensava estava errado.
Ø  Saber assumir seus próprios erros, sabendo pedir perdão e perdoar.  

A felicidade não depende do que nos falta, mas do bom uso que fazemos do que temos”.
Thomas Hardy


REFERÊNCIAS

Ø  BLOS, P. Adolescência. Uma interpretação psicanalítica. São Paulo. Martins Fontes, 1994. 
Ø  DELUZ, Ariane; GIBELLO, Bernard; OCTAVE, Jean Hebrard. A crise de adolescência.  Companhia De Freud. 1999.  
Ø  DEUTSCH, Helene. Problemas psicológicos da adolescência com ênfase na formação de grupos. Rio de Janeiro: Zahar, 1977. 
Ø  DUFOUR, Dany-Robert. A Modernidade e a questão do Outro. O Adolescente e a Modernidade - Anais do Congresso Internacional de Psicanálise e suas Conexões, tomo III. Rio de Janeiro, Escola Lacaniana de Psicanálise, 2000.
Ø  FERREIRA SALLES, Leila Maria. Adolescência, escola e cotidiano; contradições entre o genérico e o particular. Piracicaba: UNIMEP, 1998.
Ø  FREUD, Sigmund. Três ensaios sobre a Teoria da Sexualidade. Rio de Janeiro, Imago, 1972. v.7.
________(1914). Algumas Reflexões sobre a Psicologia do escolar. ESB, volume XIII, Rio de Janeiro, Imago, 1974.
________(1921). Psicologia de grupo e análise do ego. ESB, volume XIII, Rio de Janeiro, Imago, 1976.
Ø  MIRANDA, Margarete Pereira. Adolescência na escola: soltar a corda e segurar a ponta. Formato Editorial: Belo Horizonte, 2001.
Ø  MUSS, Rolf. Teorias da adolescência. Belo Horizonte, Interlivros. 1976.
Ø  OLIVEIRA, Sidnei. Geração Y, Era das conexões – Tempo de relacionamentos. São Paulo. Editora Clube de Autores. 2009. 
Ø  OSÓRIO, Luiz Carlos. Adolescente hoje. Porto Alegre: Artmed, 1992.
Ø  PERRENOUD, Philippe. A prática reflexiva no ofício de professor: profissionalização e razão pedagógica. Porto Alegre: Artmed, 2002.            
Ø  SACRISTÁN, José Gimeno. O aluno como invenção. Porto Alegre: Artmed, 2005.
Ø  SANTOS, Rafael dos. Mas que história é essa? In: Trindade, Azoilda Loretto e Rafael dos Santos(orgs.) Multiculturalismo-mil e uma face da escola. Rio de Janeiro: DP&A, 1999, PP.63-89. 
Ø  SPITZ, Christian. Adolescentes perguntam. Summus, 1997.  
Ø  TIBA, Içami. Adolescentes: Quem ama educa! Integrare Editora. 2005.
__________  Família de Alta Performance: conceitos contemporâneos na educação. Integrare Editora.

Sustentabilidade Profissional: da Terra ao Profissionalismo Pessoal por Andréa Rosa


Publicado no jornal “Inform@-CIL” março 2011. 

O termo “sustentabilidade” vem ganhando força. Definitivamente entrou nos contextos mais diversificados das agendas das empresas. Profissionais das mais variadas áreas procuram conhecer, aprofundar, repensar e pesquisar todo e qualquer conhecimento a respeito desse assunto. Pedro Jacobi, da USP e coordenador do Teia (Laboratório de Educação e Ambiente) autor de “Educação ambiental, cidadania e sustentabilidade” afirma que “os grandes desafios para os educadores (...) são, de um lado, o resgate e o desenvolvimento de valores e comportamentos (confiança, respeito mútuo, responsabilidade, compromisso, solidariedade e iniciativa) e de outro, o estímulo a uma visão global e crítica das questões ambientais e a promoção de um enfoque interdisciplinar que resgate e construa saberes”.

Em “Pedagogia da Terra: ecopedagogia e educação sustentável” Moacir Gadotti, diretor do Instituto Paulo Freire, confronta o modo como produzimos, consumimos e convivemos de uma maneira mais radical e abrangente. Gadotti solicita para que tenhamos “um novo olhar sobre a educação, um olhar global, uma nova maneira de ser e estar no mundo, um jeito de pensar a partir da vida cotidiana, que busca sentido em cada momento, em cada ato, que ‘pensa a prática’ (Paulo Freire) em cada instante de nossas vidas, evitando a burocratização do olhar e do comportamento”.

Se de um lado temos esses e tantos autores, pedagogos, filósofos, pesquisadores levantando ações reais e concretas em busca de melhorias progressivas sobre a qualidade de vida atual e futura das pessoas que habitam na Terra, porque não repensarmos que não só a sustentabilidade ambiental, mas também a pessoal e profissional devem ser repensadas a partir de suas próprias práticas?

Todos nós temos convicção que os colégios são empresas vivas, pois quem compõe o espaço físico, são colaboradores e por tanto seres vivos.  Os quais sofrem e estão repletos de anseios, satisfações, decepções e muitas alegrias. São pessoas que dão ideias, que fazem projetos, repensam suas potencialidades e práticas, buscam melhorias e até aceitam determinadas regras de sobrevivência.     

Pessoas que levam com si próprios princípios éticos, morais, criativos, inovadores, muitas vezes não só buscando uma realização profissional mas,  tentando atingir resultados pré-estabelecidos por si próprio.

Seres humanos que ainda não perceberam que o termo “sustentabilidade” está intimamente ligado a “uma nova maneira de ser e estar no mundo”.  

Repense junto comigo alguns pontos essenciais para gerarmos parte de nossa “sustentabilidade profissional”:

-  Assuma a responsabilidade por seus atos.
-  Desenvolva a disciplina pessoal.
-  Conheça suas fraquezas.
-  Alinhe suas prioridades e seus valores.
-  Admita logo seus erros e peça desculpas.
-  Tome cuidado dobrado com as finanças.
-  Coloque a família antes do trabalho.
-  Valorize as pessoas.


Entre tantas características a serem mais desenvolvidas em 2011, insira naturalmente mais uma: assertividade! Seja e busque ser assertivo. Pessoas assertivas aceitam melhor os obstáculos, os fracassos e as adversidades da vida, tirando sempre lições positivas dos mesmos e mantendo sempre uma frase positiva “bola pra frente” para atingir seus sonhos e objetivos, nunca se isolando das pessoas com as quais convive e mais que tudo levam a vida com uma grande dose de alegria.

O filósofo Mário Sérgio Cortella explica que seriedade não é necessariamente sinônimo de tristeza ou falta de humor. “O contrário de seriedade não é alegria, mas, sim, falta de compromisso”. Para ele, não há dúvida de que o tema ‘sustentabilidade profissional’ pode ser tratado com bom humor. “Por ser um tema sério, precisa de atração, sedução e conexão, e isso o humor pode oferecer. O humor serve para encantar e não apenas para distrair ou fazer desaparecer o foco. Como uma expressão inteligente da capacidade humana, espanta, interroga, surpreende, ensina e faz pensar”. 


Ainda não apareceu o Gandhi da sustentabilidade nem o Mandela da biodiversidade. Não apareceu nenhum Martin Luther King para a mudança do clima. Mas não basta um no mundo. Tem que ter aos milhões, em todas as atividades.”
Fernando Almeida.
Presidente executivo do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável.

Aprendizagem Significativa por Andréa Rosa





                        


Publicado na revista Direcional Educador,
                     Jan. 2011, pág. 30 a 33.

                  
Aprendizagem Significativa pode ser um tema, que para muitos, já tenha se desgastado com o passar dos anos. Se pensarmos no mesmo como um modismo ou num conceito trabalhado na década de 60, 70 por David Ausubel, com sua Teoria da Aprendizagem, com certeza será um assunto bastante redundante e ultrapassado. Talvez se olharmos como um ponto que virou referência nas concepções psicopedagógicas, desde que os cursos nessa área iniciaram, também acreditaremos nisso. Numa concepção falida e cansativa, embarcada pelo tempo e que hoje possa ser um simples ato inutilizado. Pior do que isso, se analisarmos, friamente, o uso desse conceito em nossa prática sistematizada, atualmente, pelos sistemas apostilados de ensino, com certeza desistiremos do assunto e definitivamente teremos plena certeza de que é uma teoria nostálgica.  

Por outro lado, para aqueles que realmente se preocupam em resgatar, constantemente, essa prática e torná-la muito mais do que uma teoria, um modismo ou uma concepção ultrapassada; torná-la um ato prático e aplicá-la nas relações interpessoais entre professor-aluno, tenho certeza de que gostará de conversar um pouco a respeito desse assunto, o qual não possui término e sim, reinicio a cada nova experiência dentro da sala de aula.  

Talvez alguns professores estejam pensando: “Mas que ‘démodé’ falar sobre esse assunto”. “Já estamos cansados de ouvir essa mesma ‘prece’ constantemente”. Realmente, concordo. Que cansativo! Porém se essa atitude estivesse inserida e impregnada nos professores de todos os níveis, como as coordenadoras pedagógicas esperam, não precisaríamos passar esse tempinho discutindo a respeito. Muito menos relembrando que não é uma ação isolada, mas subjaz na construção do conhecimento. É algo pertinente e indiscutivelmente interligado. Não deve ser um procedimento impingido.             

Damos algumas desculpas para não aceitarmos que estamos falhando em nossos procedimentos didáticos. Alegamos que os adolescentes “não querem saber de nada”; que estudar para eles é obrigatório; não veem como algo fundamental, importante muito menos necessário. Brincam o tempo todo com determinadas “frases prontas” como “quem não estuda vira Presidente da República” ou “quem não cola não sai da escola” e vejam que essa frase é da minha época!

Normalmente o professor ainda insisti em arrumar pretextos para não assumir que está difícil lidar com essa tal “aprendizagem significativa”. Coloca que a culpa possa ser dos alunos ou que o motivo de seu desinteresse pelo assunto fica expresso em outras frases como “o tempo é curto para elaborarmos novos procedimentos eficazes para atingirmos nossos alunos”, no bom sentido. Evidentemente! “Temos muita ‘papelada’ para preencher”. “Cada vez mais a coordenação nos sobrecarrega com documentos que devem ser apresentados para as Diretorias de Ensino ou para a própria Direção do colégio”, a qual exige aqueles “questionários de satisfação ou de desempenho”. São tantas obrigações excludentes à sala de aula que “fica cada vez mais impossível, pensarmos nos alunos”.

Mais uma vez questiono se isso tudo não possa estar sendo uma demonstração de variadas desculpas para ações que nem nós mesmos estamos sabendo como agir. Me preocupa bastante essa tal “aprendizagem significativa” não ter sido aquilatada pelos verdadeiros educadores. Fiquem tranquilos quando me incluo gratuitamente nesse “embrulho” pois já fui professora por muitos anos e ainda sou uma coordenadora pedagógica. Sei muito bem o que o professor e os alunos sentem. Talvez, nesse processo todo, é que estamos tendo medo de encarar o que seja novo ou quem sabe rearticular o “antigo”.

Você lembra mais uma questão que eu não mencionei. Acredita que eu possa ter esquecido. Parece que todos os autores do passado como Dewey, Stenhouse, Montessori, Decroly, Cousinet, Freinet, Neill tiveram tempo para pensar em aprendizagem significativa, pois não lidavam diretamente com alunos em sala de aula. Muito menos com a quantidade de 40 ou 50 alunos dentro da mesma classe, convivendo nesse século, nesses anos que estamos vivendo, com tanta tecnologia, informação e desencontros culturais. Sem mencionarmos na desestruturação familiar, a qual “jogou” para a escola toda uma bagagem de responsabilidades que não nos convém. Muitos professores dizem “enquanto escola não somos ‘obrigados’ a educar e sim transmitir conhecimento”. Bem, mas isso é uma conversa para outro momento. Então, você se pergunta como eles eram capazes de falar veementemente sobre auto-estruturação do conhecimento? Para eles era muito mais fácil, falar sobre algo que nem vivenciaram. Fica confortável para eles insistir sobre essa ação.  

Vou acalmá-lo um pouco sobre esses aspectos que se confundem em sua mente e te deixam esgotado, antes mesmo de pensar melhor a respeito. Ainda mais nesse momento de reinicio das aulas, onde supostamente você agiu de duas formas: ou largou todos os livros, apostilas, projetos, ideias, elaboração de aulas para trás, a fim de descansar desse contexto educacional e nem lembrar que é professor por um bom tempo ou você permaneceu parte de suas férias dedicando um tempo em pesquisar novas propostas, desafiar-se em como retornar ainda melhor, atraindo a atenção desses “rebeldes sem causa”.

Relembrando um pouco da história, veremos que a maioria desses autores, pedagogos, vivenciaram uma educação baseada em exames absurdos, muito mais seletivos do que os atuais, castigos físicos, punições excessivas, sentimentos de ódio e medo dentro da educação, mesmo porque presenciaram guerras e sofreram mutações de experiências alternativas nas bases educacionais. É correto afirmar que na maioria desses e tantos outros autores, eles buscaram por uma prática diferenciada das que vivenciavam. Quiseram mudar essa história e os caminhos que estavam sendo traçados.

Gostaria de compartilhar alguns desses exemplos. Neill iniciou sua carreira como professor ajudante na escola rural num município da Escócia. Sim! Neill foi “auxiliar de classe”. Só depois tornou-se professor substituto, titular e por fim diretor-interino de uma escola em Gretna. Dewey após formar-se em 1879 em Vermont trabalhou como professor secundário (o que equivaleria nos dias atuais ao Ensino Fundamental) por três anos e após o doutorado em Filosofia trabalhou como professor universitário. Stenhouse foi docente da Educação Básica (antigo Primário, atual Ensino Fundamental) antes de iniciar sua carreira como professor universitário.

Como podemos observar a grande maioria desses autores, pedagogos ou mesmo que não tenham a formação inicial na área da educação, atuaram junto aos alunos e docentes, mostrando que existem formas de se obter aprendizagem significativa, no momento em que nos permitimos percebê-la. Eles foram docentes como nós e se mostraram insatisfeitos com o nível de aprendizagem de seus alunos ou a falta dessa aprendizagem. Buscaram alternativas e soluções para possíveis “problemas de aprendizagem”. Procuraram fazer “diferente”. Ser um diferencial.

Pensando por esse ângulo, nós também devemos buscar o diferencial em nossas aulas. Quando nem se falava em projetos, registros ou pesquisa de campo, Stenhouse lançou essa ideia e afirmou que “se a educação tivesse mais lembranças e registros históricos, alguns problemas com os quais nos deparamos seriam muito mais bem compreendidos”.

Quando o Brasil passava por um contexto social muito denso e crítico com o militarismo e a rigidez no diálogo, Paulo Freire desafiou criticar a concepção educacional do país e falar abertamente que deveríamos ter uma aprendizagem dialógica. “Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo”.

Se nos apropriarmos nesse momento desses dois exemplos, entre tantos outros que poderíamos aproveitar sobre esses grandes pedagogos veremos que já relatavam o que estamos enfrentando. Freire relatou sobre as mudanças sociais ocorridas no país que não foram registradas e nem dialogadas pelos professores de História ou de Geografia. Como fazer esse diálogo ser mais significativo para os alunos? Mais interessante. Poderiam aproveitar para fazer com que seus alunos registrem os momentos que eles estão vivenciando. Isso inclui até as mudanças no Enem. O que não é um fato isolado ao mundo deles, mas concreto, real, significativo e mais ainda, co-relacionado à eles. Pode ser que num futuro e bem próximo, visto a velocidade das informações e mutações sociais, que o próprio Enem e tantos outros acontecimentos, se percam pela falta de registro. Um bom reinício para as aulas dessas matérias seria solicitar aos alunos que façam uma retrospectiva do ano passado ou do 1º semestre sobre os acontecimentos históricos. Poderão usar as multimídias, na verdade, infinitas mídias, para apresentarem esse trabalho. O visual é fundamental para essa juventude. Imagine que delicia você assistir uma “retrospectiva 1º semestre 2010”, apresentadas por seus alunos, contextualizando o que os afeta diretamente, antes do final do ano.   

Quer melhor momento de resgate cheio de significados do que esse? O professor não precisará fazer a famosa “revisão tradicional” do pós férias por duas aulas seguidas, tentando obter atenção dos alunos, se desgastando porque os mesmos não prestam atenção e com certeza no final do ano, todas essas informações cairão no esquecimento, pois tudo pode ter sido aprendido e não apreendido. Isso é um claro exemplo de aprendizagem significativa deixando de ser um modismo ou uma concepção ultrapassada.

Você pode estar se perguntando se eu não conheço métodos de ensino apostilados? “Dentro dos mesmos não há tempo para revisões dessa forma”. Sinto dizer-lhe, mas se você não “parar” algumas aulas para fazer um resgate significativo com seus alunos, eles não conseguirão caminhar fluentemente nos novos conteúdos que estão por vir. Para isso existe algo chamado “planejamento vivo”. Já ouviu falar? Engraçado, não é? Mas, o verdadeiro planejamento não é aquele monte de papéis que você entrega no início do ano para serem arquivados e muitas vezes repemte-se por anos o mesmo, só alterando o ano legado. Segundo Danilo Gandim “o planejamento é um processo vivo e não se resume ao preenchimento de quadros com planos que, sob o pretexto de serem flexíveis, nunca são praticados como foram concebidos”. Você tem que se programar para as aulas de revisão, de resgate. Pois pode ter muitos alunos naufragando bem debaixo de seus lindos olhos.

Outro exemplo de aprendizagem significativa que posso falar, partindo de John Dewey que sempre apostou na libertação literária tanto que criou a “Escola laboratório” seria relembrá-los de uma frase muito significativa pronunciada por ele “dentro do magistério, devem existir a iniciativa, a discussão e a capacidade de decisão”. Imaginem as turmas da Educação Infantil e séries (ou anos) iniciais do Ensino Fundamental, dando uma volta em torno do quarteirão, para a famosa aula “conhecendo nosso bairro”. Antes fazíamos algo tão trivial. Os alunos em fila, com as mãos sobre o ombro do amiguinho para que nada aconteça e nenhum se perca, vendo (simplesmente) e não olhando o lugar, a “tia” chamando a atenção dos mesmos sobre alguns aspectos e após algum tempo retornam para a sala de aula, fazem um lindo desenho individual do “seu bairro” e o colocam no mural da sala ou do corredor. Pergunto: o que foi importante, significativo e marcante para esse aluno?

Como estamos vivendo nesse século, que você tanto reclama que as coisas “mudaram para pior”, podemos aproveitar as tecnologias que ele pode nos oferecer “de melhor”. Que tal, se encaminharmos um recado para os pais, que seus filhos poderão trazer a máquina digital (excepcionalmente) para a escola e registrarem, por eles mesmos o passeio. Tudo o que se destacar aos olhinhos deles. Tirando fotos de tudo o que considerarem importante e significativo. Depois ao retornar para o colégio utilizarão, juntamente com a professora de informática, o laboratório de informática para escolherem as melhores fotos. Logicamente, cada um poderá escolher uma ou duas dentre todas que tirou para serem colocadas num mural com um título que ele mesmo escolher para cada foto. Só então serão colocadas no mural, na ordem física e cronológica que o passeio aconteceu. Todos contribuirão coletivamente com a colagem, respeitando o gosto e o olhar que cada um teve sobre os mesmos lugares. Acredito que romperemos com nossas próprias acepções sobre o bairro.        

Poderia mencionar muitos outros exemplos nas mais variadas áreas de ensino, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. Seria um prazer relembrá-lo de tantas possibilidades. Porém, acredito que se você permanecer achando essa história de “aprendizagem significativa” cansativa e redarguir a tudo que menciono, verbalizando que você não tem culpa da desmotivação de seus alunos; será bobagem eu insistir que nossos discentes, desse século, compondo essa realidade, estão esperando que suas aulas se tornem mais interessantes, produtivas, questionadoras, ousadas, experienciais, dialogadas, inovadoras dentro dos mesmos conteúdos que estão sendo dados há anos. 

Mude!Acredite! Ouse! Você transmitirá mais significado para a existência humana de seus alunos.          

O professor tem necessidade de, ao longo de um certo tempo, obter elementos capazes de lhe possibilitarem a revisão de certos pressupostos com os quais trabalha para desencadear a transposição da experiência teórica recém adquirida para a sala de aula. A distância que separa o conhecimento teórico da aplicação prática vai sendo diminuída, preenchida por força de ações mediadoras, fortemente imbricadas com a própria experiência docente, com as diferentes oportunidades de aprender que o professor encontra ao longo do exercício do magistério, sem o que não há como percorrer caminho algum.
(Barretto, Pinto, Martins, 1999: 112).

Andréa Rosa
21-07-2010

TDHA e Dislexia.


“Todos os nossos sonhos podem tornar-se realidade se 
tivermos a coragem de persegui-los”.
Walt Disney


Com o número crescente de alunos com TDHA, Dislexia e tantas outras situações que exigem um olhar especial dos professores em sala de aula, muitos se encontram numa situação difícil, não sabendo lidar com esses alunos.

Se faz necessário reiniciarmos um processo de conhecimento e desenvolvimento de trabalho específico com esses alunos, visto que os colégios, de um modo geral, estão recebendo alunos com esses perfis.

Para iniciarmos esse relatório, afirmo que não são “alunos especiais”. Portanto, não se caracterizam como “inclusão”. São apenas discentes que devem receber, por parte do docente, um olhar mais atento, zeloso, cuidadoso e na medida do possível e do previsto, uma atenção diferenciada, não esquecendo ou deixando de observarem o restante da classe.

Percebo muitas vezes que alguns professores que verdadeiramente estão envolvidos com a educação e com seus alunos, são os primeiros a detectarem as dificuldades esses apresentam. Parabenizo-os por tal atitude e envolvimento, visto que o professor é um dos principais personagens envolvidos diretamente com esse trabalho e a pessoa que possui o maior contato com todos os alunos.

Digo também que faz parte do papel do verdadeiro educador, comprometido com seu trabalho, induzir e perceber o movimento da classe e de outros alunos a terem uma postura adequada frente aos colegas disléxicos e TDHA(s).

“O professor é o elemento decisivo na sala de aula. É sua relação pessoal que cria o ambiente, é o seu humor diário que gera o clima. Ele pode tornar a vida de um aluno infeliz ou alegre. Pode ser a ferramenta da tortura ou o instrumento da inspiração. Ele pode humilhar ou alegrar, ferir ou curar” - Dr. Haim Ginott, psicólogo educacional, para revista Profissão Mestre, abril, 2005, pág. 18.

Posso afirmar que sentiremos um imenso prazer, ao findar o ano letivo, vermos que conseguimos resgatar esse aluno e sucessivamente sua aprendizagem. Mais ainda, quando o aluno sentir-se estimulado em recomeçar o próximo ano com mais disposição em vir para a escola e aprender, pode ter superado mais uma etapa.

Para que compreendam melhor esses casos, segue abaixo, um resumo sobre:
  • TDHA: Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, que também pode ser chamada de DDA. Uma condição que inicia na infância e, muitas vezes, continua na idade adulta. Estudos comprovam que 3 a 6 das crianças na idade escolar sofrem de TDHA. Um número bastante significativo. Estudos realizados no mundo inteiro encontraram tendências genéticas e ambientais, as quais são hoje, consideradas as principais causas de TDHA. O que se tem de informações também é que existe um desequilíbrio entre as substâncias cerebrais: dopamina e noradrenalina. O tratamento em geral, pode ser feito através de terapias comportamentais, medicamentos ou pela combinação de ambos.
  • DISLEXIA: também conhecida como distúrbio da linguagem (do grego) e da leitura (latim). Tem por base problemas de ordem neurológica, existindo também uma incidência expressiva do fator genético. O disléxico tem a área mais específica de seu hemisfério cerebral lateral-direito, desenvolvida que os leitores normais. Condição que, segundo estudiosos, justificaria seus "dons" relacionados à sensibilidade, artes, atletismo, mecânica, visualização em 3 dimensões, criatividade na solução de problemas (oral) e habilidades intuitivas. O disléxico normalmente aprende, porém de maneira diferente dos demais alunos. Seu tempo de aprendizagem é outro.
Para uma maior segurança de todos, relato abaixo algumas das maiores dificuldades (no geral) que esses alunos (com Dislexia e TDHA) possuem:
  • Dificuldade de concentração: visto que qualquer barulho ou movimento interno (até de outros amigos) e algumas vezes, externo a sala de aula tirará o foco e a concentração desse aluno.
  • Fixar e assimilar conteúdos: a memória é um dos pontos atingidos. Sua memória, geralmente, é curta. Lembrando-se apenas de situações mais estimulantes e interessantes. Normalmente seguidas de um processo físico, que o faça relembrar do que lhe foi explicado. Como exemplo: alguns alunos conseguem estudar em casa, batendo a bola na parede e falando as tabuadas em alta voz. Dessa forma, muito associam as batidas e o ritmo constante dessa, com o conteúdo que está sendo pronunciado.
  • Executar tarefas em casa: devemos relembrar antes que alguns desses adolescentes encontram-se sozinhos para executarem suas tarefas em casa. E aqueles que possuem um respaldo familiar, não conseguem reproduzir com exatidão para os pais, o que foi solicitado pelo professor (em classe) para ser feito em casa. Quando os responsáveis verificam suas anotações na agenda ou no caderno, percebem que tudo foi registrado de forma incoerente ou pela metade. Por isso, raramente apresentam tarefas de forma completa e organizada. Sua localização espacial é outra.
  • Dificuldade em interpretar textos: em classe, se veem sozinhos para lerem textos expressivos, complexos e longos e em “pouco tempo” (lembrando que para ele o tempo é singular). Quando conseguem finalizar a leitura do texto, já esqueceram dos detalhes iniciais do texto e para a maioria dos disléxicos não existe acentuação, nem pontuação.
  • Dificuldade de resolver situações-problemas: pela mesma falta de interpretação coerente do enunciado do problema matemático, o aluno terá dificuldades de interpretar o que está sendo solicitado. A resposta surge errada porque fazem má compreensão da pergunta e não possuem concentração específica.
  • Organização temporal e espacial: geralmente esses alunos não possuem organização quando ocupam as folhas do caderno, principalmente construindo e fazendo cálculos. Os números são colocados em desordem. Ex: 127 + 7 = ???
    Algumas vezes conseguem organizar coerentemente a construção, porém o resultado da “conta” é registrado em outro lugar na folha. O professor terá que procurar “onde foi parar o resultado”.
  • Participação oral: dependendo do caso e do grau da situação, o aluno é capaz de responder claramente e com muito mais facilidade, desempenho e confiança, quando solicitado, as respostas da avaliação escrita, de forma oral. Ou seja, se o professor conseguir organizar um tempo, entre uma aula e outra e confirmar com esse aluno o que o mesmo “quis dizer” com as respostas escritas, verá que ele possui conhecimento sobre o conteúdo. Muitas vezes não conseguiu reproduzi-lo adequadamente na prova escrita. 
JAMAIS PEÇA PARA QUE SÓ ESSE ALUNO FAÇA UMA CHAMADA ORAL. O cuidado em não expor o mesmo, é bastante significativa para sua recuperação e melhora.
  • Fazem troca de palavras e seus significados.
  • Acrescentam ou extraem fonemas (caracterizando dificuldades com a ortografia).
  • Possuem um tempo para execução das tarefas, diferente dos demais alunos (caracterizando lentidão na escrita e na leitura).
Para melhor desenvolvimento em sala de aula, sugiro abaixo algumas ações específicas para com esses alunos e de certa forma, uma possibilidade de resgate coletivo:
  • Primeiras carteiras: os professores coordenadores de classe devem estar atentos a ocupação dos primeiros lugares na sala de aula. Geralmente são ocupados por alunos que trazem “problemas de comportamento”, para que o professor possa ter um maior controle sobre o mesmo. Sugiro, que se o aluno em pauta (comportamento) tiver um ótimo desenvolvimento cognitivo e intelectual, seja colocado na última carteira, para que não tenha o incentivo da “platéia” e sucessivamente os alunos com Dislexia e TDHA, possam ocupar os primeiros lugares na sala de aula.
  • Avaliações: muitos pais e profissionais da área, que fazem os atendimentos específicos com esses alunos, solicitam para que os mesmos executem suas avaliações na sala da coordenação pedagógica ou em outro espaço reservado com mais silêncio. Caso isso não aconteça e esse aluno realize as provas coletivamente em classe, será necessário que recebam uma atenção a mais, por parte dos docentes na própria sala de aula. TOMANDO OS DEVIDOS CUIDADOS EM NÃO “DESTACAR” O MESMO. Para que não fique evidente que você estará alertando esse aluno sobre suas “possíveis respostas erradas” passeie por entre as carteiras, verificando todos os alunos e dentre os mesmos, releia algumas das respostas “dadas” por esse aluno. Para que o mesmo fique atento ao que escreveu. Se o mesmo quiser, você poderá se colocar à disposição, para que vá a sua mesa e tire uma dúvida (de leitura e escrita) e não conteudista!
  • Ao fazer um pedido, ou ministrar uma ordem, que seja feita uma por vez. Sempre registradas no caderno ou agenda e verbalizadas claramente.
  • Solicitar e perceber se o aluno pegou somente o material que será utilizado naquele momento. Caso sua carteira possua muitos materiais, o mesmo usará desses para se distrair.
  • Solicitar a agenda e o caderno do aluno para verificar se as lições, atividades e trabalhos, foram corretamente registrados. Oriente-o sobre seus registros.
  • Verificar se esse aluno fez corretamente a cópia da lousa, antes de apagá-la. Caso não o tenha feito, marcar a quantidade que falta (no caderno do mesmo) e solicitar que continue as demais escritas juntamente com o professor. Pedir para outro aluno, que empreste (na própria aula) o caderno, para que o aluno possa copiar as linhas faltantes, após o término da “cópia” coletiva.
Valem algumas dicas gerais a serem desenvolvidas, para colher de forma significativa, a compreensão do conteúdo a ser trabalhado, não só para esses alunos, mas para todos, transformando suas aulas, em processos mais interessantes:
  • Intermediando as aulas expositivas, usar outros materiais visuais, coloridos, slides, pôsteres, filmes, gravuras, mapas, músicas, ritmos, sons, giz colorido, jogos dramáticos, recursos visuais, onde os alunos poderão associar o conteúdo ministrado, ao visual aplicado.
  • Cartazes e outros papéis não pertinentes ao conteúdo, nem deverão ser utilizados para não confundir.
  • A entonação de voz também é pertinente para que os alunos gravem o que está sendo dito. Como dramatizações, reviver uma história, fazê-los fantasiarem o lugar, a época, usar a imaginação, refletir uma ação, esperar e analisar a reação de outro colega; são formas lúdicas que ajudam na memorização dos conteúdos. Canais de facilitem a comunicação.
  • Quando um determinado conteúdo for muito importante, chamar a atenção de todos para aquele momento. Use de expressões corporais para que assimilem e associem essa ação com o conteúdo. Geralmente professores que ministram aulas sentados, não conseguem bons resultados dos alunos na compreensão dos conteúdos novos.
  • Emitir lição de casa SEMPRE, pois a mesma é um reforço do que foi aprendido em sala de aula. Porém, cuidado com a quantidade excessiva da mesma. Se solicitar lição de casa, a mesma deverá ser cobrada e resgatada em sala de aula. Tarefas para casa, não são registros para satisfazerem pais e sim alunos.
  • Após solicitar um trabalho escrito e corrigi-lo na íntegra, deverá ser dado um feedback (retorno) para o aluno, comentando todas as possíveis trocas feitas por ele. Afinal, seria incoerente por parte do professor, solicitar trabalho e NÃO CORRIGÍ-LO. Pior ainda, pontuá-lo pela estética ou quantidade somente.
  • Estimular as competências e habilidades de todos os alunos, reforçando sempre sua auto-estima. Reforçar acertos dos alunos é muito gratificante para eles!Parabenize-os. Afinal, você também gosta de ser reconhecido.
  • Solicitar leituras de textos curtos e interessantes, associados com a matéria a ser ministrada, fazendo com que o aluno, em 5 ou 10 minutos, extraia a ideia principal do mesmo. Para que crie o hábito da leitura e interpretação.
  • Solicitar produção de textos orais (para TODOS os alunos), registrando na lousa a produção coletiva, tendo a intervenção do professor, parágrafo por parágrafo do que for construído. Só depois oriente-os para que registrem no caderno,
  • Repensar formas avaliativas curtas e diversificadas para todo o grupo, oportunizando assim todos os alunos que possuem habilidades diferenciadas de construção.
  • Exemplificar o texto com situações do dia a dia.
  • Mostrar para todos os alunos, qual será a dinâmica da sua aula naquele dia. Para que haja coletivamente uma organização. Não só do aluno, como sua. Registre um título específico para sua aula e até o objetivo da mesma. Caso sua aula seja num ritmo diferente do que vocês está habituado a ministrar, registre na lousa as etapas dessa aula.
  • Retomar conteúdos anteriores, sempre que possível e necessário. Principalmente no reinício de um novo conteúdo. Dessa forma, você estará resgatando os conteúdos mínimos e necessários para que o aluno tenha uma sequência mental.
Para maiores aprofundamentos sobre Dislexia e TDHA, sugiro algumas bibliografias, as quais poderão ser indicadas pela escola para os pais desses alunos:
  • Dislexia – ultrapassando as barreiras do preconceito. James J. Bauer, Editora Casa do Psicólogo.
  • Hiperatividade – como lidar? Abram Topczewski, Editora Casa do Psicólogo.
  • No Mundo da Lua: Perguntas e respostas sobre Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade em crianças, adolescentes e adultos, cujos direitos foram cedidos à ABDA pelo autor. Paulo Mattos. Lemos Editorial.
  • Mentes inquietas: entendendo melhor o mundo das pessoas distraídas, impulsivas e hiperativas. Ana Beatriz B. Silva, Editora Napades.
  • Princípios e Práticas em TDAH. Luis Augusto Rohde, Paulo Mattos e colaboradores. Artmed Editora.
  • Filme: Prova de Fogo, com Laurence Fishburne, Ângela Basset e Keke Palmer.
ANDRÉA ROSA
04-08-2010