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segunda-feira, 2 de março de 2015

Espelho meu, diga qual meu reflexo invertido!

Espelho meu, diga qual meu reflexo invertido!
Por Andréa Camargo

“Você acorda pela manhã e a primeira coisa que faz é se olhar no espelho. Às vezes para se lembrar do próprio rosto, às vezes para descobrir o que aquela pessoa no espelho quer d vida... Sem maquiagem, cabelo despenteado, cansada, com bolsas embaixo dos olhos e um enorme ponto de interrogação pairando sobre a cabeça”.

Preciso discordar só sobre um ponto com Cristiane Cardoso, autora do livro “Melhor que comprar sapatos”. Necessariamente não precisaremos nos olhar logo que levantarmos. Isso acontecerá o dia todo. Assim que uma mulher vê um espelho ou uma possibilidade de reflexo dela mesma, estará ali, se olhando! Mas sempre me questiono se a imagem refletida no espelho é a que desejávamos ver ou se ela é real!

Tenho uma conhecida (aliás, muitas mulheres que conheço) fizeram a cirurgia bariátrica. Infelizmente uma delas, que mantenho pouco contato, ainda não está feliz. Mesmo tendo perdido peso, ela não deixa de achar que “ainda está muito gorda”. Mas esse não seria o reflexo invertido da questão. Sabemos que numa % significativa, muitas acreditam que seria impossível voltar a engordar e relaxam. Quando percebem que o peso está retomando numa escala mais acelerada (ou não atingiram peso esperado) entram em depressão, desenvolvendo muitas vezes hábitos que não possuíam como fumar ou ingerir bebidas alcoólicas. Vivem entre a angústia e a ansiedade sobre seu peso e sua consciência. Não sou especialista nessa área e em particular, estou longe de compreender as angústias internas de cada uma dessas guerreiras. O que me preocupa é a mudança de comportamento, perfil e conduta das mulheres que conheço e que recorreram a esse procedimento cirúrgico. Mudaram em algum aspecto sua personalidade. Quando tinham o peso anterior, eram dóceis, amáveis, simpáticas, atenciosas. Agora, tenho a sensação de que estão sempre na defensiva. Querem impor-se a qualquer preço. Se tornaram mais rudes, com menos paciência no trato para com pessoas e até mesmo (em determinados momentos) grosseiras. Certa vez perguntei à essa colega porque estava agindo daquela forma. Ela respondeu “não espero mais dos outros para ser feliz, agora eu faço minha felicidade”.

Independente da mulher que tenha feito ou não essa cirurgia, queria ressaltar que muitas mulheres associam felicidade ao espelho! Conheço outras tantas mulheres lindas, quase que modelos e que quando se olham no espelho, refletem uma infelicidade interior muito grande. Não amam o que veem, não aceitam a opinião de outros, vivem num mundo tão repleto de insatisfações pessoais que afastam os outros de perto delas.

Outras guerreiras esperam que o outro as faça feliz. Esse outro pode ser o marido, o namorado, o emprego, a família, um status, uma condição social...  São mulheres que não vivem bem com seu silêncio interior, porque esperam muito que esse outro determine seus passos.  


Se eu pudesse pedir para você fazer um reflexo invertido sobre sua imagem diria como Johann Goethe “O comportamento é um espelho em que cada um vê a sua própria imagem” portanto, mude seu comportamento, suas atitudes, seus pensamentos, a forma como você trata as pessoas, o jeito como conduz sua própria dignidade, sua prepotência, arrogância, interatividade com as pessoas e aí sim eu diria que sua imagem estará bem mais agradável de se ver, do que sua aparência externa! 

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