Espelho
meu, diga qual meu reflexo invertido!
Por
Andréa Camargo
“Você acorda pela manhã e a primeira coisa
que faz é se olhar no espelho. Às vezes para se lembrar do próprio rosto, às
vezes para descobrir o que aquela pessoa no espelho quer d vida... Sem
maquiagem, cabelo despenteado, cansada, com bolsas embaixo dos olhos e um
enorme ponto de interrogação pairando sobre a cabeça”.
Preciso
discordar só sobre um ponto com Cristiane Cardoso, autora do livro “Melhor que comprar sapatos”.
Necessariamente não precisaremos nos olhar logo que levantarmos. Isso acontecerá
o dia todo. Assim que uma mulher vê um espelho ou uma possibilidade de reflexo
dela mesma, estará ali, se olhando! Mas sempre me questiono se a imagem refletida
no espelho é a que desejávamos ver ou se ela é real!
Tenho
uma conhecida (aliás, muitas mulheres que conheço) fizeram a cirurgia
bariátrica. Infelizmente uma delas, que mantenho pouco contato, ainda não está
feliz. Mesmo tendo perdido peso, ela não deixa de achar que “ainda está muito
gorda”. Mas esse não seria o reflexo invertido da questão. Sabemos que
numa % significativa, muitas acreditam que seria impossível voltar a engordar e
relaxam. Quando percebem que o peso está retomando numa escala mais acelerada (ou
não atingiram peso esperado) entram em depressão, desenvolvendo muitas vezes
hábitos que não possuíam como fumar ou ingerir bebidas alcoólicas. Vivem entre
a angústia e a ansiedade sobre seu peso e sua consciência. Não sou especialista
nessa área e em particular, estou longe de compreender as angústias internas de
cada uma dessas guerreiras. O que me preocupa é a mudança de comportamento,
perfil e conduta das mulheres que conheço e que recorreram a esse procedimento
cirúrgico. Mudaram em algum aspecto sua personalidade. Quando tinham o peso
anterior, eram dóceis, amáveis, simpáticas, atenciosas. Agora, tenho a sensação
de que estão sempre na defensiva. Querem impor-se a qualquer preço. Se tornaram
mais rudes, com menos paciência no trato para com pessoas e até mesmo (em
determinados momentos) grosseiras. Certa vez perguntei à essa colega porque
estava agindo daquela forma. Ela respondeu “não
espero mais dos outros para ser feliz, agora eu faço minha felicidade”.
Independente
da mulher que tenha feito ou não essa cirurgia, queria ressaltar que muitas
mulheres associam felicidade ao espelho! Conheço outras tantas mulheres lindas,
quase que modelos e que quando se olham no espelho, refletem uma infelicidade
interior muito grande. Não amam o que veem, não aceitam a opinião de outros,
vivem num mundo tão repleto de insatisfações pessoais que afastam os outros de
perto delas.
Outras
guerreiras esperam que o outro as faça feliz. Esse outro pode ser o marido, o
namorado, o emprego, a família, um status, uma condição social... São mulheres que não vivem bem com seu silêncio
interior, porque esperam muito que esse outro determine seus passos.
Se
eu pudesse pedir para você fazer um reflexo invertido sobre sua imagem diria
como Johann Goethe “O comportamento é um espelho em que cada um
vê a sua própria imagem” portanto, mude seu
comportamento, suas atitudes, seus pensamentos, a forma como você trata as
pessoas, o jeito como conduz sua própria dignidade, sua prepotência,
arrogância, interatividade com as pessoas e aí sim eu diria que sua imagem
estará bem mais agradável de se ver, do que sua aparência externa!
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