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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Reunião de Pais Interativa.


Reunião de Pais Interativa

                  Muitas têm sido as necessidades e aflições que os pais enfrentam no processo de educação de seus filhos. Adaptar-se a esse ”novo mundo” globalizado não tem sido fácil. Alguns deles sentem os desafios das novas tecnologias com todo seu avanço e influências sobre seus filhos. A vida parece estar mais “corrida” o que dificulta a participação deles em acompanhar o crescimento de seus filhos. Essa participação fica cada vez mais escassa na medida em que a adolescência chega. Somado a todos esses e muitos outros fatores, os questionamento sobre autoridade, limites e individualidade aflora cada vez mais. Os confrontos tornam-se inerentes ao processo.
                   Pensando nessas problemáticas, o Projeto Parceria oferece uma oportunidade para a escola em convidar os pais, num momento adequado para que se estabeleça um diálogo diferenciado entre Escola e Família. Essa ação, feita por uma pessoa “neutra ao contexto” promoverá não só “o falar”, mas também “o ouvir” utilizando uma dinâmica de acolhimento para que todos se sintam parte integrante do processo, evitando com que coloquem o peso da responsabilidade somente sobre a escola. 
                Sugerimos alguns temas que dão “start” ao diálogo. Lembrando que alguns deles são mais oportunos para determinadas faixas etárias do que outras:

  • A tecnologia não é a única vilã.
  • O mundo nas mãos dos filhos, mas também na nossa.
  • Parceria Escola – Família. Uma dupla com o mesmo objetivo.
  • Ética: mais do que um tema, uma ação.  
  • Inteligência emocional: lidando com as adversidades.  
  • Tarefa para casa. Para alunos ou para os pais?    
  • Adolescência: uma transição ou um complicador?
  • Limites e amor. Autoridade ou disciplina necessária? 

                          
                Os encontros (no formato mais dinâmico) têm a duração de uma hora e meia a duas horas.
                  Caso o colégio não queira aplicar dinâmica, preferindo “apenas uma palestra formal” sobre os temas sugeridos, não haverá problema! A palestra nesse caso terá a duração de 30 a 40 minutos somente.
            Se a escola necessitar que outro tema seja “construído” de forma mais específica para um dos segmentos, poderá solicitar.   

“... e não ignoro que todas as ilhas, mesmo as
conhecidas, são desconhecidas enquanto não
desembarcamos nelas”.
José Saramago


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terça-feira, 14 de outubro de 2014

Educar com arte e a arte de educar


Dia do professor

                            Nesse dia tão especial quando todos esperam receber textos dos “papas” da Educação e suas reflexões, trago outra proposta. Dois textos de um jornalista William Lara. Antigo editor da revista Páginas Abertas e atualmente o novo coordenador de conteúdo do Jornal da Comunicação Corporativa, veículo da Mega Brasil Comunicação. Gostaria de compartilhar o texto abaixo que retrata um novo olhar sobre a educação e o papel do professor. Outro texto que sugiro foi publicado por William Lara “Desafio de ser professor”, pág. 19, no livro “Relações do Ensinar” da Ed. Paulus onde o próprio autor foi um dos organizadores.  


Texto: Educar com arte e a arte de educar
William Lara

                                   A tarefa da educação é delicada porque supõe, em princípio, amor, desprendimento, doçura, firmeza, paciência e decisão.
                                   Diversas obras já foram escritas sobre esse assunto. Quantas vezes professores e pais, cheios de entusiasmo e esperança, compram este ou aquele livro com o intuito de resolver um problema específico que os preocupa em relação à atitude de alunos e de suas crianças?
                                  Ao ler... vê-se tão fácil! Os livros contêm, às vezes, infinidades de teorias, fórmulas e até conselhos que parecem mágicos, com diálogos imaginados e reações quase perfeitas dos alunos e das crianças diante da iniciativa dos professores e dos pais. Se fosse apenas isso, na vida diária...
                                  No entanto, a realidade é outra. Quando os professores e os pais tentam colocar em prática alguns desses conceitos que acabam de ler e isso não sai como eles esperavam, pensam: "O que aconteceu? Onde está o erro, se fiz exatamente o que o livro dizia?"
                                  Acontece que "educar é uma ciência e uma arte; uma arte porque não tem regras fixas, ou seja, cada caso é diferente, cada circunstância é única".
                                  Um pequeno texto, uma palavra, um gesto, uma pintura, um desenho ou uma ajuda em uma situação em que não esperávamos pode preencher uma vida, mudar seus horizontes e abrir possibilidades para nós mesmos, pois muitas vezes entender, explicitar ou descrever é um bem, um exercício.
                                 Então...
                               O que podem fazer vocês, professores e pais, quando se sentem desorientados e aflitos? Às vezes querem se dar por vencidos ou descarregar a responsabilidade em um terceiro (coordenadores, psicólogos, etc.). Mas, no fundo, todos sabem que é sua responsabilidade dar aos alunos e filhos as ferramentas e respostas de que necessitam. São os educadores que devem ensinar-lhes o sentido da vida e capacitá-los para vivê-la.
                               O objeto da educação não está só no sentido literal do verbo “educar”, mas, sim, no modo como o fazemos, a forma como prosseguimos pensando, o tipo de distinções que apresentamos, a moral e a ética dos critérios em que baseamos o caminho a percorrer.
                            Educar é como ensinar alguém a andar ou a falar (nada de metafórico existe nessa comparação). Andar verticalmente e falar é a educação mais fundamental do modo de ser quem somos: humanos. Aprender a ler, a fazer contas e a dominar a técnica, o conhecimento científico e o processo de desenvolvimento de mais e mais conhecimentos no âmbito de uma comunidade em que estamos imersos é a mesma coisa que aprender a falar. Todos esses aspectos que enquanto adultos nos envolvem são distinções no âmbito do processo fundamental que nós próprios somos: um erguer e um puxar, um indicar de possibilidades, um mostrar de mundos, um incentivar e ajudar, um responsabilizar, autonomizar e cuidar.
                                  Em resumo, educar, desde os primeiros dias até os últimos, é deixar os outros serem humanos — ensinar, no sentido de educar, é muito mais difícil do que aprender. E por que isso é assim? Não apenas porque quem ensina deve dominar uma maior massa de informações e tê-la sempre pronta a ser utilizada, mas porque ensinar requer algo muito mais difícil, complexo e poderoso: deixar aprender.
                                 Quem verdadeiramente ensina passa realmente pelo aprender. Esse aprender, por sua vez, deixa de ser revelado e tem seu fundamento na liberdade individual.
                              O que aprendemos quando aprendemos a aprender? O que aprendemos quando somos educados? O que é a educação? Com base em que a educação ganha seu sentido, sua pertinência, sua vitalidade e seu caráter decisivo? A resposta é simples: educar é deixar surgir o homem e suas possibilidades.
                                   Por tudo isso, a educação é essencialmente um apontar de possibilidades, de distinções, de relações e de humanidade. Educar é abrir, é erguer, é questionar, é duvidar e ensinar a duvidar, é ser modesto em saber ajudar. Quem deve então educar quem? A resposta é a mesma que foi dada à pergunta “Quem ajuda quem?”.
                                  Viver é aprender. O tempo muda-nos porque tudo nos ensina. Passando o que passa, aprendemos o que fica. O passado fica da forma como para cada um de nós as coisas ganham seus significados, individualmente, em uma vida que é um permanente ter sido e um constante projetar de possibilidades. Uma chamada pelo nome, uma ajuda quando nada se esperava ou uma ideia tocada pelo entusiasmo, pela imaginação e pela vontade de partilhar, um olhar de cumplicidade, uma conversa sobre o que nunca se consegue ler, mas que sempre nos preocupou, ou simplesmente o brilho de um momento, o vislumbre de uma possibilidade que dá um sentido fundo ao que temos sido podem fazer muitas vezes tudo o que mais pode marcar um caminho e uma forma de estar no mundo.
                          Poderão questionar-se sobre que temas, assuntos, momentos ou histórias. Estamos aqui para falar...A resposta é esta: sobre todos.
                                    Na educação, o essencial não é o assunto ou o conteúdo, mas a perspectiva, o modo e a relação. Ou, antes, o objeto da educação não é um tema, como, por exemplo, a Geografia, a História, a Matemática, a Literatura ou as Artes Plásticas. Aquilo sobre o que a educação recai é um modo de ser, que cuida, que toma conta, que se envolve, deixa-se envolver e deixa ser.
                                   Ouvimos muita coisa sobre educação nos dias atuais. Mas, tanto ontem como hoje, o homem é ele mesmo a educação, o ser que se ergueu, que repara e que cuida. Cuidando e ajudando, chamando e sendo cúmplices dessa chamada para a escolha constante das infinitas possibilidades que cada um de nós tem pela frente, podemos abrir o caminho e verdadeiramente educar e educar-nos.
                      Uma hora é uma medida, uma bola é um passatempo e um conceito é um instrumento, mas cada um de nós é todo o mundo. São todos os mundos do mundo que a educação tem por tema. Assim, a qualquer momento em qualquer mundo, uma palavra, um gesto ou um olhar pode entrar e não mais sair. Se tivermos sabido ou podido preservar e deixar preservar esses momentos, podemos muito bem tocar não apenas naquilo que no momento estamos fazendo, mas toda uma vida — e isso é verdadeiramente o objeto do educar.